Vista de Leyden

Da cidade narrada à cidade observada: Lisboa torna-se panorama

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OPanorama de Lisboa da Biblioteca da Universidade de Leiden, também designado Vista de Leyden, é um amplo desenho à pena sobre papel, atribuível a António de Holanda e datável de cerca de 1540–1550. Pela extensão do formato e pela extraordinária minúcia do traço, constitui um dos testemunhos visuais mais relevantes da Lisboa quinhentista. A composição apresenta a cidade a partir do Tejo, numa perspetiva panorâmica que valoriza a frente ribeirinha, o casario ascendente, os edifícios religiosos e civis e a circulação de embarcações. A afinidade do desenho com as vistas de Lisboa presentes na Genealogia do Infante D. Fernando e na Crónica de D. Afonso Henriques permite relacioná-lo com a produção de António de Holanda, reconhecível no ponto de vista tomado do rio e na representação fina e modelada das naus. A cronologia de cerca de 1540–1550 apoia-se, antes de mais, nos elementos urbanos representados: a Alfândega Nova e o Terreiro do Trigo, concluídos depois de 1534; os contrafortes da encosta do Castelo de São Jorge, realizados em torno de 1544; e a imagem do mosteiro da Graça, ainda anterior às obras de ampliação iniciadas em 1556. A análise da filigrana do papel reforça esta datação: as marcas dos papeleiros de Frankfurt am Main, idênticas às do desenho, estão documentadas desde 1541. A obra deve, por isso, ser entendida como visão da Lisboa manuelina e joanina dos anos centrais do século XVI.