Palácio dos Viscondes de Fonte Arcada (Flor da Murta)

SOBRE O EDIFÍCIO

A construção actualmente conhecida por palácio da Flor da Murta, localizada no “Poço dos Negros” terá sido edificada por volta do século XVI, por alguns membros da família Pereira Faria, senhores de Alconchel (Morgado da Terrugem), tendo passado para a família Meneses no séc. XVII. Aí residiu D. Jorge de Meneses (1690-1736), filho de D. António de Meneses (n. c. 1640) e de D. Antónia Madalena de Vilhena (n. c. 1660). D. Jorge de Meneses era casado com D. Luísa Clara de Portugal (n. 1702 ou 1703), a Flor da Murta, mãe de D. Maria Rita de Portugal (1731-1808), fruto da sua relação com D. João V (1689-1750), que terá deixado o edifício a D. Pedro Henriques, duque de Lafões.

Como explica Pedro Cassiano Neves, o palácio “foi construído pelos Pereira Faria, senhores de Alconchel, tendo entrado nos Meneses pelo casamento, ainda no século XVI, de Dona Guiomar de Faria com D. Jorge de Meneses, filho de D. Pedro de Meneses e Dona Maria Manoel”.

O Pe. António Carvalho da Costa, na sua Corografia, refere a localização do palácio: “Ha nesta Freguesia [de Santos-o-velho] muytas Casas nobres com seus jardins, & quintaes, que são as de Christóvão de Almada, as do Conde Barão de Alvito, as de D. António de Menezes, com hũa Ermida de S. Pedro, que forão dos Viscondes de Fonte Arcada; as dos Duques de Aveyro, em que morão os Marquezes das Minas; as dos Condes de Villa Nova, as dos Viscondes d’Asseca, as de D. Francisco Mascarenhas, as dos Condes de Alvor, as do Conde Meyrinho môr, & as de António de Albuquerque Coelho”. Por conseguinte, apuramos que, em 1712, as casas nobres que haviam pertencido ao 2º visconde de Fonte Arcada, Manuel Jaques de Magalhães, eram já propriedade do cunhado, D. António de Menezes.

Apesar de ter sido poupado pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, a casa esteve devoluta por diversas vezes, sendo parcialmente arrendada a diversos inquilinos. Em 1914 é desafecta de culto a sua capela, dedicada a Nossa Senhora de Monserrate. Em 1972, por despacho da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, datado de 15 de Dezembro, o edifício é classificado com Imóvel de Interesse Público, sendo o anterior revogado, a 15 de Janeiro de 1998, e passando o imóvel a estar integrado na zona de protecção do ramal das Necessidades do Aqueduto das Águas Livres.

No século XX, apesar de ainda se encontrar na posse de um descendente, D. António de Meneses, o conjunto foi vendido e os interiores alterados, a fim de acomodar diversas habitações de um condomínio privado. Um dos aspectos que sempre caracterizou o edifício e que possibilitou o seu reconhecimento no “Grande panorama de Lisboa”, para além de se compreender pela marcação de um piso nobre com cerca de nove janelas, foi o facto de ostentar no seu cunhal a presença de uma pedra de armas dos Pereira Faria, de Alconchel.

Maria João Pereira Coutinho

Como citar: Maria João Pereira COUTINHO, “Palácio dos Viscondes de Fonte Arcada (Flor da Murta)” in Vistas de Lisboa, Pedro FLOR (coord.), site do projeto de investigação (PTDC/ART – HIS/0985/2021), Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, 2026. 


BIBLIOGRAFIA

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MIGUEL, Pedro Lopes Madureira Silva, Descobrir a dimensão palaciana de Lisboa na primeira metade do seculo XVIII. Titulares, a corte, vivências e sociabilidades, (Dissertação de Mestrado em História Moderna e dos Descobrimentos apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa), Lisboa, 2012 (Texto Policopiado)

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LOCALIZAÇÃO


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