SOBRE O EDIFÍCIO
Observa-se na Calçada do Combro um edifício que identificamos como o antigo palácio do Calhariz, cujo nome se deve ao facto de ter sido propriedade do morgadio homónimo. Quanto à sua datação, e apesar de subsistirem algumas imprecisões, sabe-se que pelo menos desde a segunda metade de Seiscentos o morgadio dos Sousa do Calhariz possuía “casas de morada” na freguesia das Mercês, que terão dado origem ao edificado mais tarde conhecido por Palácio do Calhariz.
D. Filipe de Sousa, filho de D. Francisco de Sousa e de D. Helena de Portugal, nascido em 1666 nesse local, é baptizado na vizinha igreja das Mercês, reforçando os laços que essa família firmava na área da cidade. A esse aspecto de natureza biográfica, importante para a percepção da implantação desta família no Bairro Alto, e subsequentemente para a compreensão do surgimento desse palácio na Calçada do Combro, acresce o facto de se saber que D. Violante de Portugal, irmã de D. Filipe de Sousa, casa com D. Francisco de Melo, 1.º senhor de Vila Verde de Ficalho, com propriedade nesse mesmo bairro.
Outros dados igualmente significativos, para se corroborar a existência desse edifício em finais do século XVII, são os da partida de D. Luís de Sousa (1637-1690), filho de D. António de Sousa e de D. Leonor de Melo, em missão diplomática a Roma, em 1675, onde o mesmo refere que sai da sua casa na Calçada do Combro, e o contrato notarial que D. Francisco de Sousa (1631-1711) firma com o arquitecto régio João Antunes (1642-1712), em 1681, para a realização de obras na quinta do Calhariz, de Sesimbra, contrato esse lavrado nos seus aposentos na mesma Calçada do Combro. Em 1699 D. Francisco de Sousa solicita cordeamento ao Senado da Câmara para poder reedificar as suas casa. Norberto de Araújo alude ao facto de que alguns terrenos que terão servido para a ampliação do palácio foram adquiridos por D. Francisco de Sousa à condessa baronesa de Alvito, sua parente.
Esteve nesse local instalada a Academia Real de Fortificações, que precedeu a Escola do Exército e Escola Militar, em 1796, e, em 1811, a Câmara Eclesiástica, até 1830. Ocuparam ainda o antigo palácio: a Contadoria Geral das Tropas, o Ministério dos Estrangeiros, em 1882, a Liga Naval e a Caixa Geral de Depósitos, em 1947. Assinale-se ainda o facto de em 1844 os arquitectos italianos Achille Rambois (1810-1882) e Giuseppe Luigi Cinatti (1808-1879) empreenderam algumas obras no local, bem como o facto do imóvel ter sido ligado ao vizinho “palácio Sobral” através de um arco. O edifício teve ainda obras de reabilitação em 1997, segundo projecto dos arquitectos Dante Macedo, Conceição Macedo e José Afonso, para albergar a Companhia de Seguros Fidelidade, o que lhe valeu a atribuição do Prémio Eugénio dos Santos referente a esse ano.
Maria João Pereira Coutinho
BIBLIOGRAFIA
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Fontes impressas:
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