SOBRE O EDIFÍCIO
O palácio dos Marqueses de Valença situava-se na actual rua do Alecrim (antiga rua do Conde), nos arredores do actual Palácio do Barão de Quintela no largo do mesmo nome. Perto deste antigo palácio dos Marqueses de Valença (outrora Condes de Vimioso), situava-se o importante Paço dos Duques de Bragança, o Tesouro Velho e a antiga Cordoaria (SILVA, 1942).
Os terrenos onde se construiu a morada de casas dos Condes de Vimioso (com título desde 1516) eram contíguos a outros foreiros da Câmara de Lisboa (CASTILHO, 1955). Tanto em 1565 no Livro do Lançamento da Cidade como em 1573, no Tombo da edilidade, citado por Vieira da Silva, surge a referência às casas que os Vimioso possuíam na populosa freguesia de Nossa Senhora do Loreto.
A primitiva construção deveria constar de uma torre, à boa maneira medieval, como se pode observar na iconografia de Lisboa mais recuada (c. 1530). A importância na cidade das casas do Conde de Vimioso pode medir-se através da designação da sua residência (as casas do Conde do Vimyoso) no já mencionado Livro do Lançamento (1565) como um referente urbanístico na freguesia.
Do conjunto mais vasto de salas e câmaras que o palácio deveria possuir, e tal como na restante imagética da capital, o “Grande panorama de Lisboa” mostra-nos apenas uma torre, proeminente, junto do Paço ducal dos Bragança que deve aludir à presença das moradas dos influentes Condes do Vimioso, mais tarde Marquese de Valença.
Depois da morte do 6º Conde, D. Miguel de Portugal (1631-1687), sucedeu-lhe na posse dos bens o filho, D. Francisco de Portugal e Castro (1679-1749), o 2º marquês de Valença. À data da execução do painel de azulejos (1698-99) deveria ser naturalmente este o proprietário da casa.
Em 1726, após um catastrófico incêndio, o palácio dos Marqueses de Valença ficou parcialmente destruído, tendo a derrocada final ocorrido em 1755. Os Marqueses passaram a residir em permanência na sua Quinta do Campo Grande. Por estes anos do segundo quartel do séc. XVIII, era já proprietário das casas nobres André Rodrigues Costa Barros que, em 1731, as arrematara em hasta pública, contando com o favor do 2º Marquês de Valença (SILVA, 1942). A reconstrução do palácio datará destes anos, considerando que c. 1742 o mesmo já aparece com destaque na “Vista de Lisboa” de Pinhão de Matos, hoje no Museu Nacional de Arte Antiga.
No pós-terramoto, os terrenos seriam adquiridos pelo 1º Barão de Quintela, Joaquim Pedro Quintela (1748-1817) que aí faria erguer um palácio. Este edifício ficaria na posse do filho homónimo (1801-1869, feito 1º Conde de Farrobo em 1833. Ainda hoje, na rua do Alecrim em Lisboa, podemos admirar estas casas que passaram depois para a família Carvalho Monteiro e mais tarde, já no século XX, para a Casa Pombal (GONÇALVES, 2012).
Pedro Flor
BIBLIOGRAFIA
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga – o Bairro Alto, vol. II, Lisboa, CML, 3ª ed., 1955.
GONÇALVES, Inês Pais, O Palácio Barão de Quintela: contributo para um estudo monográfico, dissertação de mestrado em história da arte contemporânea apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2012.
Livro do Lançamento e Serviço que a cidade de Lisboa fez a El Rei Nosso Senhor no ano de 1565, vol. II, Lisboa, CML, 1947.
SILVA, Augusto Vieira da, “Os Paços dos Duques de Bragança em Lisboa – reconstituição tipográfica dum trecho da Lisboa desaparecida”, in Olisipo – Boletim do Grupo “Amigos de Lisboa”, ano V, nº 20, 1942, pp. 193-220.