Palácio dos Condes e Barões de Alvito

SOBRE O EDIFÍCIO

Localizado à Boa Vista (no actual Largo do Conde-Barão), o edifício conhecido por palácio do Conde-Barão, por ter pertencido aos condes de Oriola e barões de Alvito, deverá ter sido iniciado por volta de finais do século XVI, tendo, a partir de 1606, fixado residência nesse local D. João Lobo da Silveira (m. 1654) e D. Madalena de Lencastre, sua esposa. Aí, nasceram os seus filhos: D. Rodrigo Luís Lobo (1606); D. Luís (1607); D. Filipa Maria (1610); D. António (1612); D. Francisco (1614); D. Diogo (1615), entre outros descendentes, que nasceram e foram baptizados noutros locais, em virtude da família migrar entre essa casa e outras que possuíam e a quinta do Alvito.

A mesma itinerância foi reconhecida a outros descendentes desta família, tendo sido D. Vasco Lobo e D. Inês Margarida de Lencastre aqueles a quem se reconhece maior permanência nesse local. Com efeito, D. Inês Margarida de Lencastre era filha de Cristóvão de Almada, o proprietário do vizinho palácio Almada Carvalhais, e toda a sua vida se vai desenrolar na zona da Boa Vista. É aí que casa em 1692, e é no mesmo local que nascem três dos seus cinco filhos: D. José António, D. Cristóvão e D. Francisco. Essa morada de casas terá sido engrandecida em inícios do século XVIII, pois a 29 de Julho de 1712 o arquitecto régio João Antunes (1642-1712) é referido num contrato notarial que previa a construção de um novo “quarto” que chegasse à rua dos Mastros, testemunhando essa intenção.

Efetivamente, no Grande Panorama de Lisboa, em azulejos, o imóvel surge representado como um único volume de vários pisos, facto que reforça a hipótese de o edifício aí figurado ser anterior àquele que resultaria da adição de um novo corpo, ocorrida em 1712. Na sequência do terramoto de 1 de Novembro de 1755, o edifício ficou parcialmente arruinado, tendo sido abandonado pelos seus proprietários e posteriormente arrendado. Nos livros das décimas da cidade, relativos à freguesia de Santos e datados dos anos de 1767 a 1769, o imóvel aparece registado como «propriedade do Ex.mo Marquês de Alvito, que consta de um palácio arrendado, tudo em hum conto e cinquenta mil réis, a Mayney, negociante da Nação Britânica». Em 1782, é ainda mencionado como «propriedade do Ex.mo Conde Barão, que consta de palácio com dois quartos e três loges, tudo arrendado por 600.000 réis». Em 1860, o palácio foi alienado pelo 4.º Marquês de Alvito ao Barão de Vila Nova da Foz de Côa, que passou então a residir no imóvel.

Quanto à sua história mais recente, sabe-se que, no ano de 1910, Manuel António de Almeida, 1º e único visconde e conde de Pinhel (1860-1929) residia no espaço e era seu proprietário. Em 1934 o palácio encontrava-se na posse de D. Luísa Campos Henriques de Almeida, viscondessa e condessa viúva de Pinhel, que nele continuava a residir, apresentando ainda o seu alçado principal revestido de azulejo industrial. Em 1944 o edifício era propriedade da Sociedade Agrícola do Cassequel e sabe-se que no ano de 1955 funcionava no imóvel um estabelecimento de ensino oficial. Para além desta diversidade de funções, o antigo palácio albergou ainda a Escola Académica, tendo sido  todos os seus vãos do piso térreo emparedados em 2006, por ordem camarária, pelo facto do imóvel se encontrar em perigo de derrocada. Nas últimas décadas, o edifício foi alvo de várias intervenções, tendo sido submetidos à Câmara Municipal de Lisboa diversos projectos com vista à sua conversão em unidade hoteleira. 

Apresentando uma “feição chã” o edifício ainda hoje se ergue em dois corpos justapostos, o principal, e possivelmente o primeiro a ser construído, com nove vãos de sacada, a que se une um outro corpo, com seis sacadas, onde a marcação do piso nobre é em tudo idêntica à da “casa velha”. É desta forma que o palácio é representado na Vista da Academia Nacional de Belas-Artes e, igualmente, no Desenho do Museu Nacional de Arte Antiga, ainda que nesta última num registo mais aproximativo, mas bastante coerente com o que hoje se observa no local.

Maria João Pereira Coutinho

Atualização: Michela Degortes

Como citar: Maria João Pereira COUTINHO, “Palácio dos Condes e Barões de Alvito” in Lisboa em Azulejo antes do Terramoto de 1755, Pedro FLOR (coord.),site do Projecto de Investigação, (PTDC/EAT-EAT/099160/2008), 2017; atualizado por Michela DEGORTES, in Vistas de Lisboa, Pedro FLOR (coord.)site do Projecto de Investigação, (PTDC/ART-HIS/0985/2021), Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, 2026.


BIBLIOGRAFIA

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Fontes impressas:

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Palácio do Conde-Barão de Alvito (Ficha de Inventário da Câmara Municipal de Lisboa) (http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/palacio-do-conde-barao-de-alvito, consultada em Julho de 2014).


LOCALIZAÇÃO