Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes

SOBRE O EDIFÍCIO

A Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes foi edificada em 1757 por iniciativa dos irmãos da Confraria da Caridade, que existia no Convento da Esperança, com licença do cardeal-patriarca D. José, como atesta a inscrição num painel de azulejos:

Em o ano de 1757, governando a Igreja de Deus o sereníssimo padre Benedito XIV, e reinando Portugal o senhor D. José 1º, deu licença o eminentíssimo Sr. D. José, cardeal, e segundo patriarca de Lisboa, para que se erigisse esta ermida do Senhor Jesus dos Navegantes e Senhora da Caridade, para a qual, depois de benta por ordem do mesmo prelado, transladaram, no sobredito ano, com grande procissão e solenidade, estas imagens, os seus zelosos irmãos.

A ermida do Senhor Jesus dos Navegantes é um templo de modestas dimensões, com planta longitudinal composta por nave e capela-mor rectangulares. Na fachada, a porta e o janelão em prumada, interligados pela moldura, são ladeados por duas cruzes de azulejos, estações da antiga procissão dedicada ao padroeiro.

A ermida destaca-se principalmente pelo aparato decorativo azulejar (século XVIII) da capela-mor, em cujas paredes laterais encontram-se dois paineis  de azulejos: ” O Senhor Jesus dos Navegantes Valendo aos Marinheiros duma Barca em Transe de Naufragar “, do lado do Evangelho, e ” A Caridade de Nossa Senhora ou as Bodas de Canaã “, do lado da Epístola.

Nos painéis que decoram a nave da igreja, realizados pela oficina liderada pelos pintores de azulejos Valentim de Almeida (1692-1779) e Sebastião de Almeida (1727-1779) (Mangucci, 2020), encontram-se representadas algumas imagens de Lisboa, entre as quais a Rua dos Navegantes e o Convento da Esperança — sendo este o local de onde foram transportadas as imagens sagradas para a nova ermida.

A representação da Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes na Vista da Academia Nacional de Belas Artes é mais um testemunho do rigor com que o autor deste desenho observou e captou o perfil da cidade, incluindo o perfil lateral da igreja, com os fogaréus que rematam o topo da fachada, visível de esconço.

Michela Degortes


BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Norberto de –  Peregrinações em Lisboa. Lisboa: Parceria A.M. Pereira, 1938, Vol.II, Livro VII, p. 38.

ATAÍDE, M. Maia (dir. de) – Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa: Junta Distrital de Lisboa, 1988, vol. V.

MANGUCCI, Celso – O terramoto da Providência Divina, 2020. https://portuguese-tiles.com/2020/10/29/o-terramoto-da-providencia-divina/ (2026-02-26).

MOITA, Irisalva – “Bairro da Lapa”, in F. Santana & E. Sucena (Eds.), Dicionário da História de Lisboa, Lisboa:s.n, 1994, p.127 – 128.

CARVALHO, Rosário Salema de, MANGUCCI, Celso – “Quem faz o que: a produção de azulejos na época moderna (séculos XVI a XVIII)”, ArtisOn 6/2018, p. 9-24. 

SIMÕES, J. M. dos Santos – Azulejaria em Portugal no Século XVIII. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1979.

Internet

Ermida dos Navegantes– Ficha de Inventário do Património Arquitectónico PT031106170424, Lisboa, Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais / Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4741 (consultado 2026-04-01)


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