Ermida de Nossa Senhora do Pópulo

SOBRE O EDIFÍCIO

O palácio dos Carvalho de Ataíde, também conhecido por Palácio Fiúza, localiza-se no “Grande panorama de Lisboa”, na zona de Alcântara, junto à Quinta Real e à ponte que se erguia no mesmo local. No extremo nascente da fachada voltada para o observador, encontramos uma ermida que pertencia ao palácio: a Ermida de Nossa Senhora do Pópulo. Sabe-se que o palácio pertenceu no século XVII aos avós paternos de Sebastião de Carvalho e Melo e que, por morte destes, foi casa de morada dos pais do futuro marquês de Pombal (FREIRE, 1929: 94-100). O edifício, de feição nitidamente maneirista, apresenta-se em dois corpos justapostos em ângulo recto com fenestrações de sacada, ritmadas, observando-se maior número no corpo superior, o seu andar nobre.

Ao longo da história, a propriedade do palácio mudou de mãos, contando-se os Fíuza Correia (a partir de 1707); os Barruncho (a partir de 1741) o Visconde do Rio Sado (a partir de 1904-05); os Gonçalves – Jacinto e a mulher Emília Adelaide Ferreira (a partir de 1911). Em 1938, inicia-se o processo de expropriação desta Quinta de Alcântara por parte da Câmara Municipal de Lisboa, sendo convertida num bairro de casas económicas, conhecido como bairro do Jacinto (GALVÃO-TELES, 2014: 125-128).

Pertencente à freguesia da Ajuda e mais tarde à de S. Pedro de Alcântara (após 1770), a Ermida de Nossa Senhora do Pópulo foi local de várias celebrações litúrgicas e palco de baptizados, casamentos e sepultamentos de vários membros da família Fiúza Correia e Barruncho, pelo menos entre 1729 e 1830, segundo o levantamento efectuado nos registos paroquiais por João Bernardo Galvão-Teles em obra supracitada. O contínuo funcionamento dos ofícios religiosos na ermida ao longo deste período cronológico reforça a ideia de que a mesma não sofreu com o terramoto de 1755, tal como asseverava João Bautista de Castro em 1763: “Nossa Senhora do Pópulo. Na quinta que foy do Desembargador Joseph Fiuza Correa em Alcantara. Não teve ruina.” (CASTRO, 1763: 214).

Sílvia Ferreira e Pedro Flor

Como citar: Sílvia FERREIRA e Pedro FLOR, “Ermida de Nossa Senhora do Pópulo” in Lisboa em Azulejo antes do Terramoto de 1755, Pedro FLOR (coord.) site do Projecto de Investigação, PTDC/EAT-EAT/099160/2008, Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, 2017.


BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Vol. IX, Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1938-39.

ATAÍDE, M. Maia (dir. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Tomo III, Lisboa, Junta Distrital de Lisboa, 1988.

BOTELHO, Abel, Amanhã, Porto, Livraria Chardron, 1901.

CASTILHO, Júlio de, A Ribeira de Lisboa, Vol. III, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1948.

CASTRO, João Bautista de, Mappa de Portugal, vol. III, Lisboa, Of. Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, 1763.

FREIRE, João Paulo, “O Velho Palácio do Fiúza: de habitação de reis a ninho de conspiradores”, in Alcântara: apontamentos para uma monografia, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1929.

GALVÃO-TELES, João Bernardo, O Palácio do Fiúza: memória de uma residência nobre em Alcântara, no termo de Lisboa, Lisboa, LMT, 2014. 

LIMA, Sebastião Magalhães de, Episódios da Minha Vida: Memórias documentadas, Lisboa, s.d..

SANTANA, Francisco, “FIÚZA (Palácio)”, in SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo, Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, Carlos Quintas e Associados, 1994.s


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