Convento de Santo Alberto

SOBRE O EDIFÍCIO

O Convento de Santo Alberto, conhecido por Convento das Albertas, porque das Irmãs Descalças de Nossa Senhora do Monte do Carmo, as Carmelitas Descalças, foi o primeiro desta Ordem em Portugal. Situava-se no local onde hoje se encontra o “Anexo” do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), delimitado pela Rua das Janelas Verdes a norte, pelo Palácio dos Condes de Alvor, onde se instalou o Museu, a este, por um “quintalão” sobre a Rocha do Conde de Óbidos, a sul e a oeste pela cerca conventual, que é atualmente o Jardim 9 de Abril.

Foi fundado em 1584, sob invocação de Santo Alberto, em homenagem ao cardeal-arquiduque Alberto de Áustria, vice-rei de Portugal (1583-98), durante o reinado de Filipe I, e patrocinador do Convento. A pedido da nobreza e da Câmara de Lisboa, Frei Ambrósio Mariano, prior do primeiro convento de Carmelitas Descalços do nosso país, deslocou-se a Sevilha, pedindo a instituição do Convento feminino ao Provincial da Ordem. Do Convento de Ávila, vêm quatro carmelitas, que ao chegar a Lisboa, enquanto não têm casa própria, ficam com as dominicanas do Convento da Anunciada. Fora dos muros da cidade, em terrenos pertencentes às Comendadeiras de Santos, o Provincial da Ordem e Frei Mariano, compram umas casas, com quintal e vista para o Tejo, onde é erguido o Convento, numa construção simples e desornamentada, segundo os preceitos de Santa Teresa de Ávila, reformadora das Carmelitas.

Em 1585, mudam-se para o Convento as quatro freiras, às quais se juntam outras quatro, vindas de Sevilha, e é eleita prioresa Maria de São José (1548-1603), companheira e discípula de Santa Teresa. A relíquia desta Santa chega ao Convento, nesse ano, e é depositada na capela da Igreja a si dedicada. No século XVII e, sobretudo no XVIII, a Igreja é decorada com pinturas, talha e azulejo. Sai ilesa do terramoto de 1755, mas o Convento fica arruinado e as freiras refugiam-se na Quinta do Provedor dos Armazéns (em São Sebastião da Pedreira, atual jardim da Fundação Calouste Gulbenkian) e depois, no Palácio dos Condes da Ribeira Grande (na Junqueira). Voltando ao Convento, ficam abarracadas na cerca, enquanto decorrem as obras de reconstrução. Para a Rua das Janelas Verdes, davam a Igreja, a portaria, ao lado, e várias casas, ocupadas por criados do Convento ou alugadas. O Convento tinha dois pavimentos. No inferior, a cozinha, refeitório, arrecadações, um pequeno claustro e um pátio com cisterna. No superior, as celas (apenas com uma cama e uma mesa), uma casa “de recriação” com vista para o claustro e dois coros, com janelas gradeadas para a Igreja, donde as freiras assistiam à missa e comungavam. Na cerca, havia uma pequena capela, dedicada a São João Baptista.

Em 1890, morre a última freira. O Convento é extinto e passa para a posse do Estado. Habitavam nele 11 “pupilas” (jovens que faziam vida regular, porque os noviciados estavam proibidos), que são obrigadas a retirar-se, no ano seguinte. Edifício e cerca são disputados por várias entidades. A igreja continua aberta ao culto, a cerca é cedida à Câmara Municipal de Lisboa para jardim e miradouro públicos e o Convento servirá para alargamento do Museu Nacional de Belas Artes (antecessor do MNAA), que ocupava o Palácio dos Condes de Alvor. Do espólio do Convento, o Museu escolhe alguns objetos, a livraria (biblioteca conventual) é depositada na Biblioteca Nacional, a maior parte dos móveis vendida em hasta pública e o restante entregue à autoridade eclesiástica. Ocupado apenas como armazém, o Convento entra em ruína e é demolido em 1918. No entanto, a Igreja é mantida, vindo a ser integrada no Anexo do MNAA (construído entre 1937 e 1939), como exemplo típico do barroco português. No exterior ainda se pode ver o portal, com o escudo das Carmelitas e a inscrição «ESTE CONVENTO DE S ALBERTO HE DAS FREIRAS DESCALÇAS DE N. S. DO CARMO».

Henrique Martins

Como citar: Henrique MARTINS, “Convento de S. Alberto” in Lisboa em Azulejo antes do Terramoto de 1755, Pedro FLOR (coord.) site do Projecto de Investigação, PTDC/EAT-EAT/099160/2008, Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, 2017.


BIBLIOGRAFIA

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LOCALIZAÇÃO