SOBRE O EDIFÍCIO
O mosteiro de Santa Brígida deve a sua fundação a 15 freiras da Ordem inglesa de Santa Brígida, que terão chegado a Portugal em 1594, fugindo das perseguições que lhes eram movidas no seu próprio país.
Em meados do século XVI vêem-se obrigadas a abandonar o seu mosteiro de Sião em Inglaterra e são acolhidas pela Duquesa Margarida de Parma, governadora da Flandres, que as instala num mosteiro. Em 1568, continuando a fugir às perseguições religiosas, mudam-se para França e instalam-se em Ruão. Neste local são apoiadas financeiramente por Filipe II de Espanha. Em 1594 abandonam França e deslocam-se para Portugal, sendo acolhidas por Filipe I, que provê ao seu sustento. Continuando na senda dos seus antecessores, em 1640, D. João IV apoia também financeiramente as freiras da ordem de Santa Brígida. A 17 de agosto de 1650, sobreveio um incêndio que destruiu o edifício onde estavam instaladas. As religiosas acomodam-se temporariamente numa quinta pertencente a Fernão da Silveira, e em 1651, foram acolhidas pelas religiosas clarissas do Convento de Nossa Senhora da Esperança, instalando-se as brígidas numa casa anexa a este convento. Em 1655 dá-se início à construção do mosteiro e igreja das inglesinhas de Santa Brígida, com a invocação de S. Salvador do Sião, contribuindo para a obra, o rei D. João IV com a quantia de cinco mil cruzados.
Em 1672, a igreja estava pronta para o culto, embora não estivesse ainda finalizada a sua capela-mor. Segundo descrição deste templo, datada de 1707, este apresentava-se de dimensões consideráveis, com abóbada de ladrilho. A capela-mor era pintada de brutesco e o retábulo-mor era de talha dourada. No mosteiro viviam, neste período, cerca de 30 religiosas. Em 1758 consta no relato das Memórias Paroquiais, ditadas pelo pároco de Santos-o-Velho, que o mosteiro tem como padroeira a Coroa portuguesa.
A 26 de Setembro de 1810, por ordem da Coroa, as freiras passam a viver no mosteiro de Nossa Senhora do Bom Sucesso de religiosas irlandesas, pois o espaço do mosteiro é requisitado para nele funcionar um hospital destinado a acolher e tratar militares ingleses.
Em 1861, as 12 freiras Brígidas que ainda permaneciam em Portugal regressam definitivamente a Inglaterra. Na sequência do abandono do espaço, o edifício é comprado por intermédio de D. Maria da Anunciação Saldanha e Castro. O mosteiro é dividido entre os Jesuítas, entretanto regressados a Portugal, que ficam com a igreja e uma parte das dependências do mosteiro e da cerca e as Irmãs de Santa Doroteia, que em 1866 nele instalam um colégio. A nova casa religiosa das Doroteias, bem como o seu colégio, é fundada sob a invocação de Jesus, Maria e José. Com ensino direcionado para alunas carenciadas, o colégio teve um papel importante no acolhimento e educação de um número considerável de utentes, sendo que em 1866 há o registo de ser frequentado por mais de 60 alunas.
No início do século XX, mais concretamente em 1901, e por efeitos da propaganda anti-congregacionista, o colégio vê-se obrigado a fechar durante alguns meses. Com o advento da República em 1910, a escola e a casa religiosa das Doroteias, bem como outras associações religiosas e publicações que ali detinham a sua sede, foram forçados a encerrar as suas portas.
No antigo espaço do mosteiro das Brígidas passou a funcionar entre 1910 e 1913, o Museu da Revolução da República. A partir de 1912, o Instituto Superior do Comércio e a partir de 1935 a Emissora Nacional de Radiodifusão. Em 1990 subsistia no local o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que veio substituir o antigo Instituto Superior de Comércio.
O edifício foi recentemente alvo de intervenções de restauro e modernização dos seus espaços (2002-2005). O trabalho foi entregue ao arquitecto Gonçalo Byrne e teve como objectivo imediato criar melhores condições para a formação de pós-graduação, mestrados e doutoramentos do ISEG. O complexo arquitectónico do antigo mosteiro das Inglesinhas é hoje propriedade do ISEG. Actualmente, o edifício destina-se fundamentalmente à formação pós- graduada de executivos e empresários portugueses, acolhendo também os órgãos de gestão e outros serviços administrativos.
Sílvia Ferreira
Como citar: Sílvia FERREIRA, “Convento de Santa Brígida (Inglesinhas)” in Lisboa em Azulejo antes do Terramoto de 1755, Pedro FLOR (coord.) site do Projecto de Investigação, PTDC/EAT-EAT/099160/2008, Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, 2017.
BIBLIOGRAFIA
Fontes Manuscritas
BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL, Secção de Reservados, Códice 8834
Estudos
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SANTANA, Francisco, “Inglesinhas (Convento das)”, Francisco SANTANA e Eduardo SUCENA (dir. de), Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, Carlos Quintas & Associados, 1994
Internet
www.iseg.utl.pt
Mosteiro de Sião / Convento das Inglesinhas / Edifício do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Ficha de inventário do IHRU, N.º de IPA 00017521, em www.monumentos.pt, consultado em Dezembro de 2013.