SOBRE O EDIFÍCIO
Data de 1572 a fundação do convento de Nossa Senhora da Estrela na então denominada Quinta de Campolide que foi pertença de Luís Henriques, Governador da Ilha de São Tomé. A 24 de Dezembro de 1573 é celebrada a primeira missa na nova igreja do convento, sendo eleito como primeiro abade do recém-inaugurado espaço monástico frei Plácido de Vila Lobos, um dos três impulsionadores da fundação desta casa religiosa beneditina. Há notícias de que no século XVII se empreendem obras de ampliação do convento, nomeadamente a construção de um novo dormitório para acomodar os religiosos. Esta obra de arquitectura terá estado a cargo de frei João Turriano.
A data de 1615 ligada à fundação do mosteiro de São Bento da Saúde da mesma ordem beneditina, situado na proximidade deste, dita que o de Nossa Senhora da Estrela conheça um estatuto diferente, passando a funcionar como colégio do Noviciado. No entanto, e sob supervisão do abade geral frei Leão de São Tomás, as aulas dedicadas somente ao ensino da teologia são ministradas no novo mosteiro de São Bento da Saúde.
O terramoto de 1 de Novembro de 1755 causa danos significativos no antigo complexo monacal, que no entanto é reconstruído. A 2 de Fevereiro de 1797, o espaço recebe ordem de despejo para que nas instalações do antigo colégio se possa alojar um hospital militar que seria utilizado para prestar assistência médica às tropas britânicas aliadas de Portugal nas invasões francesas. Desde essa data que o antigo edifício que fora pertença dos beneditinos fica na posse do Estado.
Os primeiros anos do século XIX vão ser atribulados para a história deste espaço: em 1805 é editado um alvará régio que, aprovando o Regulamento dos Hospitais Militares, qualidade em que este espaço se inseria, no ano seguinte há notícia de que terá funcionado como hospital de inválidos, em 1808 detém funções de hospital do Corpo Expedicionário Inglês. Sabe-se igualmente que apesar destas modificações de funções do edifício que foi mosteiro dos frades beneditinos, regista-se ainda em 1817 a presença de cinco religiosos dessa ordem a residir nas instalações do antigo mosteiro. Um ano mais tarde, em 1818, o antigo edifício dos monges de S. Bento acolhe a Secretaria dos Hospitais Militares e a Botica Geral do Exército. 1823 alojava também a Academia das Ciências de Lisboa, que mais tarde se instalaria de forma mais comoda no antigo convento dos padres franciscanos de Nossa Senhora de Jesus, no sítio das Mercês. Em 1834, em virtude do decreto liberal de exclaustração das ordens religiosas, o hospital militar passa a denominar-se Hospital Militar de Lisboa.
Em 1910, com a proclamação da República e em 1911 com a Lei de separação entre o Estado e a Igreja, dá-se a desafectação do culto da igreja do primitivo convento. A consequência imediata para esta acção foi o progressivo despojamento do seu recheio artístico, sendo este disseminado nomeadamente pela Basílica da Estrela e pela igreja matriz de Telheiras.
É só a partir de 1946, mercê da vontade de várias personalidades com peso na máquina do Estado, nomeadamente, o então Ministro da Guerra, do Dr. Sacadura Botte Corte Real, do General D. Fernando Pereira Coutinho, Governador Militar de Lisboa e do Cónego Pereira Campos, que se empreendem obras de recuperação do espaço da capela do antigo mosteiro, obras essas sob a supervisão do arquitecto Pereira de Lima. Nessa empresa são então recuperadas alguns das peças de arte que tinham pertencido à igreja. Entre elas contavam-se o retábulo de talha dourada setecentista que até essa data tinha estado colocado na igreja matriz de Telheiras. Depois das obras concluídas, a igreja reabre ao culto em 1947.
O interior deste templo, hoje pertença do Hospital Militar Principal, é digno de nota. Nele estão representadas algumas das obras de arte que caracterizaram os interiores portugueses do século XVIII: azulejos, talha dourada, embutidos marmóreos e túmulos em pedraria, estes datáveis do século XVII.
Sílvia Ferreira
Como citar: Sílvia FERREIRA, “Convento de Nossa Senhora da Estrela” in Lisboa em Azulejo antes do Terramoto de 1755, Pedro FLOR (coord.) site do Projecto de Investigação, PTDC/EAT-EAT/099160/2008, Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, 2017.
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Internet
Mosteiro de Nossa Senhora da Estrela / Hospital Militar Principal, ficha de inventário do IHRU, n.º de IPA 00011277, em www.monumentos.pt, consultado em Dezembro de 2013.